Veja Também

 

 
 
 
 
Notícias - Geral
 
Vacinação: Vacinação de 9 a 16 anos poderia reduzir dengue em 50%, diz estudo

Postado em: 05/04/2016 16:49:00
Divulgação

A vacinação em massa contra a dengue em crianças e adolescentes de 9 a 16 anos poderia reduzir pela metade o número de casos ao final de 5 anos.

 


É o que mostra um estudo feito com a vacina desenvolvida pela Sanofi Pasteur - a única aprovada pela Anvisa até agora -, que estimou os efeitos da imunização rotineira em várias faixas etárias e concluiu que o melhor custo-benefício seria no grupo de de 9 a 16 anos de idade. Além de reduzir o número de casos para 50%, a vacinação nesta faixa etária poderia evitar 1.125 mores e 139 mil hospitalizações ao longo de 5 anos.

 

O estudo foi liderado pelo médico Denizar Vianna, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador de Centro de Excelência em Avaliação Econômica e Análise de Decisão da ProVac Network, grupo de estudos econômicos e financeiros da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Publicado na edição de abril do "Jornal Brasileiro de Economia da Saúde", o estudo recebeu apoio financeiro da Sanofi Pasteur.


A vacina contra dengue desenvolvida por esse laboratório foi aprovada pela Anvisa em 28 de dezembro e é indicada para pessoas de 9 a 45 anos. Estudos clínicos de fase 3 haviam apontado que, em uma população de 9 a 16 anos, a vacina é capaz de proteger 66% dos indivíduos contra a dengue.


Nesse grupo etário, a imunização é bem mais eficaz para quem já foi infectado por um dos quatro sorotipos do vírus. Quem já pegou dengue tem uma proteção de 82%. Enquanto isso, quem nunca pegou a doença tem apenas 52% de proteção garantida.


Custo


A projeção feita pelo grupo de Vianna usou um modelo matemático que representa a dinâmica de transmissão dos quatro sorotipos da dengue e levou em conta os dados de eficácia da vacina obtidos nos estudos clínicos de fase 3 do produto.


Segundo o estudo, com uma vacinação mais extensa, de 9 a 40 anos, a redução do número de casos de dengue poderia chegar a 81% ao final de 5 anos. Porém, em termos de saúde pública, uma vacinação de um grupo tão grande pode ser inviável.


"Sabemos que é inexequível para o Ministério da Saúde ter uma abordagem tão abrangente principalmente no momento que o país vive em termos de restrição orçamentária. É preciso, de alguma forma, sinalizar algo que seja exequível e compatível ao Ministério da Saúde", diz Vianna.


Caso um grupo menor fosse vacinado, apenas crianças de 9 a 10 anos, o impacto seria uma redução de 22% em 5 anos.


Adoção pelo SUS


"Espero que, de alguma forma, o Ministério encontre uma solução que permita definir, mesmo que para uma faixa etária menor, uma adoção que proporcione esse beneficio. Porque a vacina tem mais uma coisa importante: mesmo quem não se vacina se se beneficia: é a chamada imunidade coletiva", observa o pesquisador.


Segundo ele, caso o sistema público de saúde não adote a vacina contra dengue e o produto fique restrito às clínicas particulares, o impacto seria muito menor. "O alcance disso seria muito baixo, pois o potencial de benefício será limitado a um segmento da população que tem acesso, então provavelmente não teria uma lógica tão agressiva de benefícios."


O ministro da Saúde, Marcelo Castro, já sinalizou em janeiro que considera a vacina da Sanofi "muito cara" e que a pasta ainda estuda se pretende ou não adotar o produto no sistema público.


Como o preço da vacina ainda não foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) da Anvisa, o estudo não estima quais seriam os gastos da adoção da vacina pelo sistema público.


O esquema de vacinação envolve a aplicação de três doses com intervalo de seis meses entre elas. Os resultados obtidos até o momento sugerem que não seria necessário revacinar.


Vacina do Butantan


Até o momento, a vacina de dengue da Sanofi - cujo nome comercial é DengVaxia - é a única aprovada no mundo. Mas existem outras vacinas em estudo no mundo. A que está em fase mais avançada é a que foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantan e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), que já deu início à ultima fase de testes clínicos antes de ser submetida à Anvisa para registro.

Fonte: G1