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Rio 2016: Brasil faz sua melhor olimpíada

Postado em: 23/08/2016 16:57:00
Divulgação

“Não tenho como dizer como vai ser o futuro. Esses projetos provavelmente vão acabar do jeito que está a situação. Agora é aguardar para ver o que vai acontecer”, disse um pessimista e preocupado nadador Henrique Rodrigues, ao deixar sua bateria semifinal dos 200m medley. A frase resume o sentimento de incerteza sobre o que vai ocorrer com o esporte brasileiro, que bateu recorde de medalhas nesta Olimpíada impulsionado por investimentos de cerca de US$ 600 milhões na preparação nos últimos quatro anos. Criou-se uma rede de recursos de várias fontes, a maior parte pública, para auxiliar os atletas. O desafio é que, em Tóquio 2020, o Brasil esteja mais próximo de seguir o exemplo britânico e não repetir a derrocada da Grécia depois de sediar os Jogos de Atenas. 

O país-sede costuma ter resultados históricos em Olimpíadas para depois ter uma leve queda nos ciclos seguintes. A Grã-Bretanha quebrou, no Rio, essa tendência. Superou o número de pódios de Londres e terminou na histórica segunda colocação do quadro de medalhas, à frente da China. A Grécia, no sentido contrário, murchou após Atenas 2004. Depois dos 16 pódios em casa, foram quatro em Pequim, dois em Londres e seis no Rio. 

“A gente precisaria de mais uns 20 anos de investimento para fazer algo como o que fez a Grã-Bretanha. Ela desenhou uma política de Estado ligada ao esporte”, destaca o gerente executivo do COB, Marcus Vinicius Freire. 

Talvez a iniciativa mais próxima da tal “política de Estado” seja a Rede Nacional de Treinamentos, do Ministério do Esporte, que prevê forte investimento em infraestrutura. Nos últimos quatro anos, aparelhos como novas pistas de atletismo foram erguidos pelo país. Mas, dos 239 Centros de Iniciação ao Esporte com construção prevista (um aporte de R$ 861 milhões), apenas um foi entregue, em junho, em Franco da Rocha, interior paulista. Com os cortes que têm atingido vários setores do governo, paira a dúvida sobre a continuidade do projeto, mesmo que o Ministério tenha divulgado que ele seguirá. 

A Lei de Incentivo ao Esporte, que oferece vantagens tributárias a empresas que bancam projetos aprovados pelo ministério, já teve sua prorrogação aprovada no Congresso. O desafio agora é conseguir captar, junto à iniciativa privada, os recursos já autorizados. 

Outro programa com continuidade garantida é o Bolsa Atleta, que remunera atletas de destaque e já foi transformado em lei. Não se sabe, porém, se o volume de contemplados será o mesmo dos últimos anos. Já o Bolsa Pódio talvez seja o projeto mais ameaçado. Parte do Plano Brasil Medalhas, criado especificamente para os Jogos do Rio, distribui salários entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para atletas que, de acordo com avaliação do ministério, entram em Jogos Olímpicos com chance de medalha. 

Criado em 2008, o Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), que seleciona esportistas para fazer parte das Forças Armadas, seguirá firme até 2020, com foco nos Jogos Mundiais Militares de 2019 e na Olimpíada de Tóquio. 

Exército, Aeronáutica e Marinha fazem a seleção de seus integrantes por meio de editais públicos. Os atletas se candidatam e são avaliados, sendo que seus resultados esportivos entram como um dos critérios para a escolha. Assim, 145 dos 465 competidores brasileiros nos Jogos do Rio eram militares. Por isso a cena de atletas batendo continência no pódio tornou-se comum. Os selecionados recebem remuneração (terceiro sargento ganha salário líquido de R$ 3,2 mil) e benefícios. Podem também utilizar as instalações militares para treinos. Os contratos temporários são de oito anos, mas podem ser renovados.

Fonte: Diário de Cuiabá